Sobre querer ser mais

É difícil ser um adolescente nos dias de hoje. É difícil ser criança, é difícil ser jovem, é difícil ser adulto e especialmente complicado ser um idoso. Todos nós, no fundo, sabemos disso. Sabemos que cada uma das 7 (ou 8?) bilhões de cabecinhas humanas tiveram seus problemas, suas dificuldades e seus dias difíceis. Mesmo assim, é impossível, porque é algo intrínseco ao ser humano, deixar de ser esmagado por algum sentimento pesado que na nossa mente é unicamente sentido por nós, só nós, nesse universo particular.
Como quando eu me revolto comigo mesma. Quando não consigo resolver aquele problema de Física, e leio uma reportagem sobre um menino super dotado que entrou em Harvard com 10 anos. Como quando eu como chocolate e depois me sinto gorda. Quando entro no tumblr e vejo um festival de meninas lindas, estilosas, perfeitas e quase inimagináveis. Com seus corpos definidos, bronzeados, sua pele sem cicatrizes ou espinhas e só um belo sorriso no rosto.
Como eu queria ser uma delas. Como eu queria não ter que me preocupar com a aula de amanhã, com o meu rosto que aparentemente nunca terá uma pele decente, enquanto o resto do mundo usufrui de uma pele lisinha e linda.
Eu sei que não sou a única. Sei que, se eu pôr tudo isso que ocorre comigo em perspectiva com o mundo, com as criancas sequestradas pelo Boko Haram, com os imigrantes ilegais que fogem para a Itália em busca de melhores condições de vida, com os sobreviventes dos terremotos recentes, eu no meu lindo edredom soarei ingrata e irritante, um barulho a mais nessa poluição sonora.
Não posso evita, contudo. É, afinal, algo intrínseco ao ser humano sentir mais do que tudo, querer mais do que tudo, sonhar mais do que tudo. Posso odiar eu mesma? Não. Jamais. Sou única nesse único sentido de que, se eu quiser, acrescentarei algo a sociedade. E aquelas pessoas, que nós todos vemos diariamente na TV e nos jornais sofrendo, elas não contam com apenas com um "ah, que triste." Elas não sabem, querendo você ou não, da sua situação específica. Elas só pedem, quase em silêncio, que você se reconstrua e consiga, por fim, ajudá-las a se tornarem a melhor versão possível.
De todos nós.

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