Diferenças
Era uma vez, uma menina que adorava calças jeans, shorts, bicicletas e skate. Que não curtia saias curtas ou ficar por aí se "pintando", passando coisas no rosto. Uma menina que o maior desejo era aprender todas as manobras possíveis de skate.
Essa menina não tem nome. Ela pode estar aí, do seu lado. Mas a chamaremos de J.
J. era feliz daquele jeito. Ela curtia a vida, e, apesar de seu melhor amigo for um menino e as garotas de sua sala a ignorarem, ela se aceitava do jeito que era. Com o cabelo arrepiado, com uma espinha no nariz, com algumas gordurinhas a mais.
E ela seguia assim a vida. Sem se estressar por causa de garotos, sem pensar que um dia as coisas poderiam mudar. Que um dia, ela iria se preocupar com o que os garotos pensavam. Mas naquela época, isso era a ideia mais idiota.
Tola, a menina. As coisas mudam mesmo. Pessoas mudam. Melhoram, pioram, ficam na mesma. Aprendem a sorrir, a chorar. A fingir, a amar, a odiar, a querer. A surpreender.
Então, quando J. fez 15 anos, tudo mudou. As pessoas a viam como uma moça, não mais uma garotinha normal que gostava de andar com os garotos. Seu melhor amigo começou a sair com uma das garotas que a ignoraram e acabou esquecendo da companhia de outras pessoas. Algumas pessoas apareceram, ela conheceu mais algumas.
E não entendia o que tinha mudado. Seria ela mesmo? Seriam os olhos das outras pessoas?
E então, começaram a aparecer as garotas, novamente. "Oi, tudo bem? Quer ir na minha casa amanhã?", convites, festas, meninos. O skate sempre andava com ela, até mesmo quando ia nas casas das garotas.
E então, num dia desses, ela topou com seu ex-melhor amigo, num estado bem ruim. "E aí, mano?", ele não respondeu. Doeu. Podiam ter se distanciado, mas J. nunca havia pensado que poderia ser por causa dela. Dessas malditas mudanças. O que foi?, ela pensava consigo mesma, e tinha vontade de perguntar para ele. Por que nós não somos mais amigos?, era a grande pergunta.
Um dia, numa dessas festas, um garoto apareceu. Chamou J. para dançar e ela foi. Dançaram, dançaram. Até seus corpos começarem a doer e os pés, a pedirem descanso. Foram para um canto. J. não sentia nada pelo garoto. Seu pensamento estava em outro, naquele que um dia sempre estivera do seu lado. O garoto falou, conversou, brincou. J. não ligava. O garoto também aparentava não se importar, e chegou mais perto. Mais perto. Ele não é feio, pensou J. Mas também não é bonito!, se repreendeu e se afastou.
Foi embora. Não olhou para trás, para o garoto.
E ele ficou lá, esperando. Esperando sua melhor amiga, esperando que ela o reconhecesse.
Mas ela não voltou, não reconheceu, não lembrou. Foi embora, e nunca retornou.
Um dia, numa dessas festas, um garoto apareceu. Chamou J. para dançar e ela foi. Dançaram, dançaram. Até seus corpos começarem a doer e os pés, a pedirem descanso. Foram para um canto. J. não sentia nada pelo garoto. Seu pensamento estava em outro, naquele que um dia sempre estivera do seu lado. O garoto falou, conversou, brincou. J. não ligava. O garoto também aparentava não se importar, e chegou mais perto. Mais perto. Ele não é feio, pensou J. Mas também não é bonito!, se repreendeu e se afastou.
Foi embora. Não olhou para trás, para o garoto.
E ele ficou lá, esperando. Esperando sua melhor amiga, esperando que ela o reconhecesse.
Mas ela não voltou, não reconheceu, não lembrou. Foi embora, e nunca retornou.
nossa que lindo >.< amei teu blog não para de postar nao ok ? beijo
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